Entrevista para a Revista Espírito Livre

Foi publicado em março – mas só agora pude postar – na Revista Espírito Livre,  uma entrevista minha na qual falo sobre infográficos, objeto de estudo que venho pesquisando desde 2004. A entrevista foi concedida  ao jornalista e blogueiro Yuri Almeida, que edita o blog Herdeiro do Caos.

Começamos abordando as formas primitivas de fazer infografia, passando pelas possibilidade interativas, o consolidação da infografia na imprensa, a inserção e potencialização da tecnologia para a construção de infográficos mais interativos e sofisticados, definição do que é infografia em base de dados, a estética, refelexão dos infográficos no Brasil e terminamos com infográficos para telefones móveis.

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Infografias das chuvas

Em virtude das chuvas/desabamentos/deslizamentos que ocorrem em Salvador, o jornal A Tarde produziu um infográfico na qual identifica as áreas de risco da cidade, bem como os bairros, onde até agora, sete pessoas morreram na capital baiana.

Não há melhor forma de infografar, nestes assuntos, do que o mapa. Informações de geolocalização são sempre úteis e bem exploradas quando se trata de acidentes, tragédias, desabamentos como este. A visualização cartográfica cresce na medida em que demais ferramentas e o desenvolvimento das tecnologias digitais servem como aporte para a produção de mapas interativos na web.

Interatividade e imagens em movimento são os grandes aspectos que sobressaem neste infográfico, inclusive, demonstra sinais de avanços para a construção de infografias menos estáticas no jornal baiano.

Parabéns para Paula Pitta, que participou da produção deste infográfico, e que foi minha aluna da Pós da FASB.

Registro aqui também o infográfico feito pela equipe do G1 que retrata as áreas de deslizamentos ocorridos em Niterói. Assim como o A Tarde, um mapa foi explorado como suporte principal para a visualização da informação.

O melhor da infovis

Do excelente FlowingData segue uma lista dos melhores posts de maio. Este blog, editado por Nathan (doutorando em estatística), vislumbra como um dos melhores blogs  acerca da visualização da informação (infovis),design, ciência da computação para a organização do dados na web. Para agregar este blog nos feeds e delicious.  E uma ótima fonte de informação (e conhecimento)  para quem pesquisa sobre a temática.

27 Visualizations and Infographics to Understand the Financial Crisis
Little Red Riding Hood, the Animated Infographic Story
Pixel City: Computer-generated City
37 Data-ish Blogs You Should Know About
Maps of the Seven Deadly Sins
Legal Drinking Age Around the World
17 Ways to Visualize the Twitter Universe
Web Trends Map from Information Architects, 4th edition
Visual Representation of Tabular Information – How to Fix the Uncommunicative Table
AIG Bailout: Where $173 billion Went

Os dados como notícias

Nunca como hoje, a visualização dos dados estão em evidência, principalmente em diversos jornais on line, revistas, blogs, entre outros. Uma possível justificativa para este fenômeno: agora, tem-se mais aplicativos que permitem torná-los mais dinâmicos, num espaço praticamente ilimitado (o ciberespaço, por exemplo), com a possibilidade de cruzar informação, proporcionar uma maior interatividade com o internauta/usuário, além de contribuir para a memória social (banco de dados).

Hoje, sem dúvida alguma, é uma ferramenta essencial quando se trabalha com a visualização da informação.  Este artigo da Sarah Cohen, do Washigton Post, retrata justamente sobre esta questão. Ela diz:

“Se você tiver a habilidade e tempo, consideram aprender como fazer gráficos interativos como ferramentas de reportagem. Eles são particularmente eficazes nesta fase, pois o nosso desejo natural satisfazer a cavar mais fundo tudo o que vemos. Mas eles também ajudar um “jump-start”, em que se deslocam em linha com um acabado gráfico. A maioria dos sites usam o Flash, embora haja outros a consideram gráficos produzidos usando HTML simples ou javascript ou PHP”

Entre outros aspectos abordados neste artigo, Sarah Cohen fornece dicas de como produzir gráficos com a utilização dos dados, desde o momento da concepção à edição final do produto noticioso.

Um outro artigo que também faz menção à visualização dos dados é o The Web of Data: creating Machine-Acessible information.Aqui, o autor ressalta o poderio da máquina, uma revolução diz ele, na qual vemos a capacidade das máquinas para acessar, processar e aplicar informações. Esta revolução vai surgir a partir de três áreas distintas de actividade ligada à Web Semântica: a Web de dados, a Web de Serviços e da Web de Identidade fornecedores. Estas páginas têm como objetivo tornar conhecimento semântico de dados acessíveis, semânticos e serviços disponíveis conectável, semânticas e de conhecimento dos indivíduos transformável, respectivamente.

Numa tradução livre, um trecho:

“A idéia da Web de Dados originou com a Web Semântica. As pessoas tentaram resolver o problema da incapacidade inerente de máquinas para compreender as páginas web. Inicialmente, o objetivo da Web Semântica era invisível para anotar páginas da web com um conjunto de meta-atributos e categorias, para permitir que máquinas de interpretar textos e colocá-lo em algum tipo de contexto. Esta abordagem não teve êxito porque a averbação era demasiado complicado para o homem que não tinha antecedentes técnicos”.

Mas, uma coisa é certa. A visualização dos dados não deve ser pensada e refletida apenas pelo viés do discurso tecnológico determinista. Neste ponto, concordo com Cairo em seu recente artigo sobre ainda polêmica do Malofiej 2009. Diz Cairo:

“El problema, que es también un problema grave en la infografía de prensa desde sus orígenes, surge cuando la mencionada ambición estilística se antepone a nuestros objetivos centrales como comunicadores: facilitar la comprensión y la exploración de los datos; ser fiables, rigurosos, precisos; no permitir que la técnica sea una barrera entre el mensaje y el lector, sino un canal que conduzca el primero al segundo”.

Ou, como nos alerta Eva Dominguez:

“La visualización de la información es una forma de representación muy característica del momento en que vivimos. Los buenos ejemplos contribuyen a la comprensión al simplificar lo complejo.  A veces la visualización de la información es en sí misma una propuesta estética, no una representación de la realidad. A menudo los datos nos ayudan a interpretarla, pero no podemos aspirar a más. Al fin y al cabo, la verdad no siempre está los datos. Como se suele decir, hay pequeñas mentiras, grandes mentiras y las estadísticas”.

São questões a refletir e observar com mais cautela sobre todas as mutações, muitas delas efêmeras, dentro do ciberespaço, onde novas experiências, formatos, desafios, limites estão permanentemente em curso constante. Neste trecho de Cairo e da Eva, em particular, este é um desafio lançado para a visualização da informação:torná-lo compreensível ao mesmo tempo em que esta nova estética dos dados se encontra em marcha com bastante potencial tecnológico digital.

A primazia do NYTimes no Malofiej 17

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Os resultados do Malofiej 17 deste ano, evento considerado o ‘Oscar” da infografia mundial, demonstram claramente o potencial do NYTimes frente as demais produções infográficas mundo a fora, arrematando 8 das das 18 medalhas de ouro (5, edição impressa, 3, para o online).  Um destes gráficos,  o The Ebb and Flow of Movies: Box Office, ganhou o Peter Sullivan “Best of Show” (gráfico acima). Ouro também para  o Electoral Explorer, que levou o premio Miguel Urubayen de melhor mapa. Portanto, os melhores e mais importantes prêmios da categoria.

mapa-malofiej-17

Tais  premiações  resultaram numa polêmica muito grande  em torno do melhor gráfico do NYtimes. Uns diziam que é um alarde afirmar o gráfico de magnífico, outros, que era bastante confuso, difícil de ler, navegar e entender.  Sem entrar diretamente na polêmica de certos comentários, um fato é inegável: a primazia do NYTimes no Malofiej. As últimas edições comprovam isso, e este ano, repetiu-se a dose.

O jornal americano vem introduzindo, testando, experimentando novas formas de visualizar a informação, através de conhecimentos estatístiscos, cartográficos, inovações no design, etc. Tudo é muito novo, recente, e novos desafios e experimentos estão em curso constatemente, desafiando os limites de produção.  Até porque a história da infografia na Web – mais especificamente – é muito recente, aonde teve sua visibilidade nos atentados do 11 de setembro de 2001, portanto, há 8 anos somente.

Devo dizer que não há formato canônico, fechado, uma matriz única para a elaboração, produção, estruturação e apresentação, edição do conteúdo noticioso. Mais ainda,  não sabemos ao certo, por onde vai caminhar, se é moda – como alguns disseram – se vai consolidar definitivamente. Desde já, a originalidade de tais gráficos do NYTimes tem feito a diferença  e foi motivo de reconhecimento nas últimas premiações do evento, confirmando – até o momento – a soberania infográfica mundial.

Mais:

quadro de medalhas sobre o Malofiej.

Lista completa

Fotos Flickr, criado pelo professor Michael Stoll

Comentário Alberto Cairo

Comentário Chiqui Esteban

Comentário Xocas

Comentário Gert Nielsen

Blog 233 grados

Visualizações e infografias

info_blog

O FlowingData publicou uma série de visualizações  e infografias ( no total 27) para uma melhor compreensão da crise financeira mundial. Muitas delas, já foram publicadas em diversos meios, porém, o legal é obter todos num só lugar. O resultado é uma excelente compilação de gráficos e demais visualizações bastante interessante.

P.S: A infografia acima é A Closer Look at the Global Financial Crisis, de  Liam Johnstone.

Two Visualization Tools

É o nome do artigo feito por Michael Burch, Felix Bott, Fabian Beck, and Stephan Dieh, todos pertencentes ao Departamento de Ciência da Computação, da Universidade de Trier, Alemanha e aborda as ferramentas de visualização da informação.

Pegando o gancho do post anterior, ele também está por trás do projeto TimeRadarTress.

Abstract.

Many recently developed information visualization techniques are radial variants of originally Cartesian visualizations. Almost none of these radial variants have been evaluated with respect to their benefits over their original visualizations. In this work we compare a radial and a Cartesian variant of a visualization tool for sequences of transactions in information hierarchies. The Timeline Trees (TLT) approach uses a Cartesian coordinate system to represent both the hierarchy and the sequence of transactions whereas the TimeRadarTrees (TRT) technique
is the radial counterpart which makes use of a radial tree, as well as circle slices and sectors to show the sequence of transactions. For the evaluation we use both quantitative as well as qualitative evaluation methods including eye tracking.

Íntegra.