Repensando o conceito de infografia

Entrevista muito bacana do David Alameda, infografista do El Mundo.es, em que discorre sobre o processo de produção de uma infografia. O que mais me chamou atenção nesta entrevista é a frase abaixo que  abre o post, quando ele define, em poucas palavras,  infografia:

¿Qué es o cómo definirías la infografía?
Básicamente la definiría como la ‘magia’ de contar cosas usando imágenes como ingrediente principal.

Muito pertinente esta definição do Alameda porque coloca em xeque todo o conceito construído sobre infografia, na qual parte dos pesquisadores (de Pablos, Valero Sancho, Peltzer, Leturia, Colle, Borrás e Caritá, Cairo, entre outros) vão assinalar que a infografia tem que conjugar texto e imagem, em sintonia. Particularmente, concordo parcialmente com esta assertiva sobre o conceito de infografia. Acredito que ela tenha mais validade no suporte impresso, que ainda mantém uma linearidade de apresentar as informações e modo de produção.

Contudo, quando se trata de web e nos modos diferenciados de visualizar a informação, nem sempre o texto entra como elemento estruturante para apresentar determinada informação. E esse fato não implica em perda de qualidade infográfica. Não é regra e precisa ser revista, principalmente em infográficos para a web. Foi o que tentei trazer à baila na minha pesquisa de mestrado, considerando novas especificidades do novo suporte. No estágo atual da infografia, as bases de dados são elementos estruturantes para a narrativa interativa e mais analítica, como nos diz Cairo.

As bases de dados conferem novas características para a produção da infografia que merece ser investigada, pois observa-se que vem sendo adotada para dinamizar a narrativa e proporcionar modos diferenciados de visualização da informação, tendo em vista que trata-se de um produto visual em sua plenitude.  O que acontece é que quando a infografia migra para a web ela carrega a metáfora do impresso, inclusive em suas definições.

Essa questão foi importante naquele demarcado momento de transição de plataformas, do impresso ao digital, mas que hoje, em sua fase madura, não atendem obrigatoriamente à esta definição. Há infográficos que são só números e imagens em movimento, números se cruzando e produzindo novas tematizações, etc, ou uma mescla disso tudo, ou um pouco de um de outro. Não há regras onde a web é o limite.

Ou como nos diz Zygmunt Bauman:   Chegou a vez da liquefação dos padrões de dependência e interação. Eles são agora maleáveis a um ponto que as gerações passadas não experimentaram e nem poderiam imaginar; mas, como todos os fluidos, eles não mantêm a forma por muito tempo. Dar-lhes forma é mais fácil que mantê-los nela.

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