As bases de dados na infografia interativa:algumas reflexões

Antes de mais nada, é preciso um esclarecimento que permitirá a compreensão do que defino de Infobases. A infografia, nos moldes como conhecemos hoje, não é produto meramente da informática, das tecnologias digitais e dos softwares em constante mutação e desenvolvimento. Muito antes do aparato tecnológico tornar os infográficos com maior qualidade técnica, tratamento na imagem gráfica, permitir animação, imagens em 3D, é fato que já há indícios de infográficos desde as pinturas rupestres, nos vasos mesopotâmicos, no ideograma chinês, etc, e em diferentes suportes para a transmissão da mensagem. Isto é, de alguma maneira, a imagem estava ligada como forma de comunicação sobre determinados fatos em seus respectivos contextos.

Ao longo do tempo, as primeiras infografias foram aparecendo em periódicos da época, desde o século XV, XVI sobretudo os mapas, onde retratavam os conflitos bélicos e militares daquelas épocas.  Mas o apogeu aconteceria na década de 1980, influenciada pelo jornal americano USA Today, e, entre outros fatores, a introdução do Macintosh da Apple, programas de editoração eletrônica para a sofisticação da imagem gráfica, etc, que a produção sistemática e a valorização da infografia enquanto discurso visual jornalístico se consolida na imprensa mundial. Para as infografia na Web, o grande boom ocorre nos atentados a 11 de setembro, quando já se dispunha de um ambiente favorável: a informatização das redações, conexão banda larga, desenvolvimento do aplicativo Flash para que as imagens simulassem um cenário de hiperrealidades.

info_guerra do golfo

Da mesma forma, as Bases de dados é algo que sempre existiu nas redações jornalísticas. Entendidas como repositório de informações ou “material de arquivo”, as Bds se tornaram comuns na década de 1960,quando os principais jornais tinham em suas redações uma “sala” para que esse calhamaço de informações fosse armazenado. Constituia-se de uma base de dados (ou banco de dados) do tipo analógica, com espaço físico estruturado para a recuperabilidade daquela informação.  Nesta época, que o termo “database” tornou-se comum, principalmente nos Estados Unidos, e consenquentemente, Europa,e  depois, ficou bastante conhecida mundialmente.  O processo da informática e o surgimento dos computadores fizeram com que a sistamática da estocagem e organizar, recuperar, classificar e recuperar as informações fosse reconfigurada, cujo papel não é mais de simples “arquivamento de material morto”,mas sim, de servir como ferramenta para produção jornalística de  conteúdos orginais e dinâmicos.

Estaríamos falando, contudo, de uma quarta fase dentro do jornalismo digital, que seria este tipo de jornalismo em que as Base de dados cumprem uma função essencial para a criação de novas peças informativas. Suzana Barbosa, membro do GJOL e atualmente professora da UFF, propõe o modelo de Jornalismo Digital em Base de Dados- JDBD, na qual argumenta que as BDs se constituem como padrão para a estruturação, edição,apresentação do material jornalístico, além do o enquadrá-lo como na transição da terceira para a quarta geração dentro do jornalismo digital.

Em percurso similar, a infografia também incorporou as bases de dados nas suas produções, o que conferiu uma maior densidade informativa, interatividade, dinamismo e atualização contínua – para citar alguns desdobramentos – e, a colocou num patamar diferenciado das demais produções infográficas, cuja  novidade está na junção de ambas as temáticas.
Este tipo de infografia em base de dados funciona, entre outras características, como um instrumento de análise da informação, distinto do que a literatura sobre infografia apregoava: de ser uma leitura rápida e simples de ser compreendida. As bases de dados enquanto elemento-chave destas infografias, produzem rupturas do ponto de vista de produção, edição, apresentação, compreensão e consumo do relato noticioso, porque oferecem mais recursos de análise e profundidade da informação jornalística ,através do entrelaçamento de dados.

O marco teórico para que este panorama da infografia em base de dados fosse desenhado ocorre em 2007, durante a premiação do Malofiej – o oscar mundial da categoria. O The New York Times ganhou a medalha de ouro com o gráfico Sector Snapshot: Retailing. Tratava de um infográfico na qual as bases de dados se sobressaiam dentro daquela estrutura infográfica com atualização contínua.

snapshot_nytimes

A partir daí, o jornal americano tornou-se a principal referência e fonte de inspiração hoje quanto à infografia, sobretudo, valorizando as bases de dados em diversos modos de visualizar a informação. Cabe ressaltar aqui que as formas de produção infográficas continuam existindo, calcadas em elementos multimídias (texto, foto, áudio, vídeo, imagens em movimento). Acredito que estas formas simbióticas continuam convivendo num mesmo ambiente, produzindo rupturas e continuidades, pois não há modelo canônico, fechado de fazer infográficos, sobretudo, marcado pela mutabilidade e efemeridade dos aplicativos disponíveis na Web.

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  1. Pingback: Entrevista: Adriana Rodrigues fala sobre infografia, ciberjornalismo e bases de dados | Herdeiro do Caos

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