LIDE discute infografia brasileira

1o-lideComeça no dia 23 de maio, mais uma edição do LIDE, evento que discute infografia, linguagem, design editorial.Na programação, os infografistas Alberto Cairo, Mario Kanno que vão falar de infográficos on line brasileiros, Rodrigo Ratier, que abordará “Como ensinar a pensar visualmente”, espécie de mantra dos infográficos, além de outros infografistas brasileiros em atividade no cenário nacional.  As inscrições são gratuitas e podem ser feitas através do email: mail.lide@gmail.com

Outras informações no blog do evento.

A dica foi da Renata Steffen, do blog ctrl g

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Entrevista com Aron Pilhofer, do NYTimes

aron-pilhoferOs grandes infográficos e gráficos do NYtimes são reverenciado mundo a fora, pela sua qualidade técnica, equipe multidiciplinar, pela densidade informativa e pelo cruzamento de dados ofertados e apresentados como forma da comunicação visual. Sem dúvida, o jornal americano é, atualmente, um dos mais capacitados para desenvolver infográficos em base de dados. Nesta entrevista concedida ao blog Amphibia, Aron Pilhofer, editor de gráficos interativos no NYTimes, fala sobre a produção dos gráficos, desafios, projetos, objetivos, entre outras questões.

Nuestra función es permitir que la redacción produzca información digital más completa y rica. Es así de sencillo. Está claro que la gente viene al New York Times en busca de artículos y producciones interactivas que simplemente no pueden encontrarse en otra parte, y mi equipo es una de las piezas que permite producir esos contenidos. Le damos a la redacción la capacidad para ir más allá de las herramientas de las que dispone”

“Sin dudas que la productividad es una medida, y hemos producido mucho en poco tiempo. Supongo que otra medida serían herramientas tradicionales de medición de la actividad en la web, como las páginas vistas y similares, aunque debo admitir que en gran parte nosotros no estamos al tanto de estas estadísticas.Hemos desarrollado proyectos que han obtenido gran audiencia, pero que yo consideraría un fracaso, y ha habido proyectos que han recibido poca atención pero que considero un éxito”.

“La clave de esto creo que está en construir contenidos más duraderos centrados alrededor de determinados temas, para que puedan unirse comunidades que comparten intereses. Algo similar a lo hecho por el St. Pete Times con su sitio PolitiFact“.

Os dados como notícias

Nunca como hoje, a visualização dos dados estão em evidência, principalmente em diversos jornais on line, revistas, blogs, entre outros. Uma possível justificativa para este fenômeno: agora, tem-se mais aplicativos que permitem torná-los mais dinâmicos, num espaço praticamente ilimitado (o ciberespaço, por exemplo), com a possibilidade de cruzar informação, proporcionar uma maior interatividade com o internauta/usuário, além de contribuir para a memória social (banco de dados).

Hoje, sem dúvida alguma, é uma ferramenta essencial quando se trabalha com a visualização da informação.  Este artigo da Sarah Cohen, do Washigton Post, retrata justamente sobre esta questão. Ela diz:

“Se você tiver a habilidade e tempo, consideram aprender como fazer gráficos interativos como ferramentas de reportagem. Eles são particularmente eficazes nesta fase, pois o nosso desejo natural satisfazer a cavar mais fundo tudo o que vemos. Mas eles também ajudar um “jump-start”, em que se deslocam em linha com um acabado gráfico. A maioria dos sites usam o Flash, embora haja outros a consideram gráficos produzidos usando HTML simples ou javascript ou PHP”

Entre outros aspectos abordados neste artigo, Sarah Cohen fornece dicas de como produzir gráficos com a utilização dos dados, desde o momento da concepção à edição final do produto noticioso.

Um outro artigo que também faz menção à visualização dos dados é o The Web of Data: creating Machine-Acessible information.Aqui, o autor ressalta o poderio da máquina, uma revolução diz ele, na qual vemos a capacidade das máquinas para acessar, processar e aplicar informações. Esta revolução vai surgir a partir de três áreas distintas de actividade ligada à Web Semântica: a Web de dados, a Web de Serviços e da Web de Identidade fornecedores. Estas páginas têm como objetivo tornar conhecimento semântico de dados acessíveis, semânticos e serviços disponíveis conectável, semânticas e de conhecimento dos indivíduos transformável, respectivamente.

Numa tradução livre, um trecho:

“A idéia da Web de Dados originou com a Web Semântica. As pessoas tentaram resolver o problema da incapacidade inerente de máquinas para compreender as páginas web. Inicialmente, o objetivo da Web Semântica era invisível para anotar páginas da web com um conjunto de meta-atributos e categorias, para permitir que máquinas de interpretar textos e colocá-lo em algum tipo de contexto. Esta abordagem não teve êxito porque a averbação era demasiado complicado para o homem que não tinha antecedentes técnicos”.

Mas, uma coisa é certa. A visualização dos dados não deve ser pensada e refletida apenas pelo viés do discurso tecnológico determinista. Neste ponto, concordo com Cairo em seu recente artigo sobre ainda polêmica do Malofiej 2009. Diz Cairo:

“El problema, que es también un problema grave en la infografía de prensa desde sus orígenes, surge cuando la mencionada ambición estilística se antepone a nuestros objetivos centrales como comunicadores: facilitar la comprensión y la exploración de los datos; ser fiables, rigurosos, precisos; no permitir que la técnica sea una barrera entre el mensaje y el lector, sino un canal que conduzca el primero al segundo”.

Ou, como nos alerta Eva Dominguez:

“La visualización de la información es una forma de representación muy característica del momento en que vivimos. Los buenos ejemplos contribuyen a la comprensión al simplificar lo complejo.  A veces la visualización de la información es en sí misma una propuesta estética, no una representación de la realidad. A menudo los datos nos ayudan a interpretarla, pero no podemos aspirar a más. Al fin y al cabo, la verdad no siempre está los datos. Como se suele decir, hay pequeñas mentiras, grandes mentiras y las estadísticas”.

São questões a refletir e observar com mais cautela sobre todas as mutações, muitas delas efêmeras, dentro do ciberespaço, onde novas experiências, formatos, desafios, limites estão permanentemente em curso constante. Neste trecho de Cairo e da Eva, em particular, este é um desafio lançado para a visualização da informação:torná-lo compreensível ao mesmo tempo em que esta nova estética dos dados se encontra em marcha com bastante potencial tecnológico digital.

Infográficos brasileiros: algumas comparações

A infografia interativa por jornais, revistas e agências on line brasileiros ainda é um desafio diário enfrentado pelo infografista e por sua produção. Ao mesmo tempo em que mão-de-obras qualificadas não faltam no mercado nacional. Mas  o fato é que as infografias interativas/animadas brasileiras ainda se encontram em fase embrionária, engatinhando nesta área. É o que eu defino como a primeira fase dos infográficos, isto é, marcado pela linearidade, totalmente sequencial, sem apresentar nenhum tipo de navegação multilinear – característica fundamental nas narrativas infográficas – além da ausência de elementos multimídias básicos (foto, vídio, imagens em movimento).

A Revista Época, por exemplo, se encaixa nestas caracterizações acima descritas. Em “Indiana Jones e as relíquias”,  é o típico exemplo de infográfico de primeira fase, estaques, estáticos, sem animação.  Assim como todos os outros infográficos que a revista produz. Assim como o G1 e Uol, entre outros, são infográficos marcados pela linearidade da narrativa, se aproximando, eu diria, de um slideshow, ou seja, uma sequência de imagens e só.

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É válido ressaltar ainda que iniciativas interessantes têm sido feitas para dinamizar a produção infográfica. O IG, por exemplo, produziu um infográfico Especial F1 2009 que mostra o conteúdo completo da temporada do automobilismo neste ano: estapas, ficha detalhada de cada piloto, regulamento, um tour virtual de todos os Gps, entre outros. Ainda que não tenha tanta multimidialidade como apregoa os infográficos produzidos para a Web, ainda assim, traz inovações para o cenário brasileiro.

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A primazia do NYTimes no Malofiej 17

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Os resultados do Malofiej 17 deste ano, evento considerado o ‘Oscar” da infografia mundial, demonstram claramente o potencial do NYTimes frente as demais produções infográficas mundo a fora, arrematando 8 das das 18 medalhas de ouro (5, edição impressa, 3, para o online).  Um destes gráficos,  o The Ebb and Flow of Movies: Box Office, ganhou o Peter Sullivan “Best of Show” (gráfico acima). Ouro também para  o Electoral Explorer, que levou o premio Miguel Urubayen de melhor mapa. Portanto, os melhores e mais importantes prêmios da categoria.

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Tais  premiações  resultaram numa polêmica muito grande  em torno do melhor gráfico do NYtimes. Uns diziam que é um alarde afirmar o gráfico de magnífico, outros, que era bastante confuso, difícil de ler, navegar e entender.  Sem entrar diretamente na polêmica de certos comentários, um fato é inegável: a primazia do NYTimes no Malofiej. As últimas edições comprovam isso, e este ano, repetiu-se a dose.

O jornal americano vem introduzindo, testando, experimentando novas formas de visualizar a informação, através de conhecimentos estatístiscos, cartográficos, inovações no design, etc. Tudo é muito novo, recente, e novos desafios e experimentos estão em curso constatemente, desafiando os limites de produção.  Até porque a história da infografia na Web – mais especificamente – é muito recente, aonde teve sua visibilidade nos atentados do 11 de setembro de 2001, portanto, há 8 anos somente.

Devo dizer que não há formato canônico, fechado, uma matriz única para a elaboração, produção, estruturação e apresentação, edição do conteúdo noticioso. Mais ainda,  não sabemos ao certo, por onde vai caminhar, se é moda – como alguns disseram – se vai consolidar definitivamente. Desde já, a originalidade de tais gráficos do NYTimes tem feito a diferença  e foi motivo de reconhecimento nas últimas premiações do evento, confirmando – até o momento – a soberania infográfica mundial.

Mais:

quadro de medalhas sobre o Malofiej.

Lista completa

Fotos Flickr, criado pelo professor Michael Stoll

Comentário Alberto Cairo

Comentário Chiqui Esteban

Comentário Xocas

Comentário Gert Nielsen

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