O infográfico como gênero jornalístico

Esta é uma temática recorrente sobre infografia. E, na especialização aqui em Salvador, estou pesquisando- e já escrevendo o tcc, por sinal- sobre esta questão,  que  será um enorme desafio porque  sabe-se que a infografia patina entre ferramenta e gênero. Ora, se as infografias atendem aos elementos constitutivos de uma reportagem, que está inserida como gênero informativo, então a infografia pode ser considerada um gênero jornalístico.  Se um infográfico muitas vezes é publicado de uma forma completa em si e autônoma, ou seja, sem texto complementar, logo se têm uma unidade informativa completa, que dá conta da notícia/informação por si só, assim como as reportagens textuais.

  Desta maneira, a revista portuguesa JJ-Jornalismo & Jornalista”, resolveu questionar esta temática a infografistas conceituados sobre a possibilidade da infografia ser encarada como um gênero jornalístico. A matéria ainda traz uma entrevista com a jornalista do Publico.pt, Susana Almeida Ribeiro, que neste ano publicou o livro “Infografia de Imprensa – História e Análise Ibérica Comparada”, na qual faz uma comparação entre as infografias impressas entre Portugal e Espanha. O livro dela (que ja está em minhas mãos, depois faço um post sobre ele) é fruto da dissertação de mestrado em Comunicação e Jornalismo pela Universidade de Coimbra.

Eis alguns momentos que achei pertinente:

JJ- Podemos considerar a infografia um género jornalístico?
Susana Almeida Ribeiro – Sim, a infografia pode ser considerada um género jornalístico autónomo. Diversos teóricos da infografia assinalam, sem pudores, a sua independência já desde a década de 1990. Carlos Abreu Sojo, que estudou a questão a fundo, sistematizou- a afirmando que a infografia é um estilo jornalístico autónomo porque se apresenta, formalmente, como uma notícia (tem título, texto e crédito) e porque tem como intuito fundamental responder às tradicionais seis perguntas que deverão nortear a redacção informativa (quem, o quê, onde, quando, como e porquê). Além disso, mesmo quando se limita a acompanhar um texto, uma infografia tem sentido por si mesma, sobretudo quando se trata de uma infografia-perfeita, isto é, um gráfico que pode ser publicado sem texto a acompanhar.

JJ – Nos jornais portugueses, a infografia dispõe de um estatuto próprio ou é vista como “um boneco para ilustrar a notícia”? E em Espanha?
SAR – A infografia está a ganhar cada vez mais terreno nas revistas e jornais. Lembro-me de um caso recente em que a revista Visão fazia uma espécie de prognóstico de como será a vida em 2023 num artigo todo ilustrado com infografias, por acaso muito boas, feitas pela Anyforms. Inclusivamente, a capa da edição era uma das infografias que constava do especial informativo.
Em resumo, acho que em Portugal só se pode caminhar para uma situação em que a infografia terá estatuto próprio. Os editores de imagem, e os próprios directores dos jornais, estão cientes de que as infografias não são já meros “bonecos” para ocupar páginas.
Até porque as infografias têm altas taxas de leitura entre o público. Em Espanha, as infografias já têm estatuto próprio há muitos anos, fenómeno ao qual não é alheia a circunstância de os nossos “vizinhos de Península” acolherem os Prémios Malofiej.

JJ – E ao nível da infografia digital, podemos comparar Portugal e Espanha?
SAR – Não é possível comparar o incomparável. Adoptando a metáfora religiosa, em Portugal “ainda a procissão vai no adro”. Acompanhei a produção de infografias nas redacções online dos espanhóis El Mundo e El País e dos portugueses Diário de Notícias e Público e não há comparação possível. Em Espanha, as redacções do elmundo.es e do elpais.com elaboram várias infografias por semana. No caso português, o publico.pt admitia a elaboração de uma infografia animada
por mês e no Diário de Notícias a situação nem se coloca, pois o DN não tem uma redacção online autónoma.

 

by Adriana A. Rodrigues

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